1 de outubro de 2015

RESENHA | A Lista Negra - Jennifer Brown


269 páginas, Gutenberg 

  Jennifer Brown cresceu em uma cidade do Kansas, escreve histórias e textos desde a 4ª série, e mesmo tendo essa proximidade com a escrita demorou um pouco para que esse fosse o seu plano de vida. Ela sempre dedica seus livros ao marido Scott, pois foi ele que a incentivou em tentar publicar, e desde então Jennifer acredita que sem ele, não haveria histórias. (amor fofo né? ♥) fonte 

  A Lista Negra foi seu romance de estreia, recebeu prêmios e serviu de incentivo para que Jennifer se dedicasse a escrever. Ela tem uma licenciatura em psicologia, e acredito que esse conhecimento somado ao enredo fez com que a história do livro, mesmo sendo ficção, pudesse ser totalmente aplicada à vida real.


   
  Não é uma leitura que um dia você vai esquecer. Porque mesmo com seu contexto ficcional, os sentimentos, as emoções e principalmente as lições que estão impressas em suas páginas são extremamente verdadeiras.

  Jennifer aborda o bullying e todas as dores que ele causa, de forma tocante e muito verdadeira. Através de Valerie e suas experiências conhecemos a destruição que a intolerância é capaz de causar.

  Eu chorei em vários trechos do livro e quis confortar Valerie em muitos momentos. Praticamente o livro inteiro. Chorei por ela ter um pai estúpido e idiota, que jamais soube o que é ser pai, o que é olhar nos olhos de um filho e perceber a súplica escondida neles. Chorei porque Valerie estava sozinha, porque ela só tinha a culpa como companheira, porque ela era apenas uma garota forçada a se encaixar em padrões de pessoas que se achavam superiores aos “esquisitos” como ela. 

  Bullying deixa marcas, e elas não são fictícias.

  Já passei pela experiência e sei o que é quando as pessoas riem de você e te fazem se sentir pequena, invisível. Não tive tendências suicidas nem violentas, e sempre quis apenas distância das pessoas que me faziam mal. Mas e quem enfrentou problemas mais graves que só distância não resolveria? E quem não teve essa vontade de viver e superar? Ou pior ainda, matou pessoas?

  Nick Levil transformou a realidade de Valerie. Ele foi o refúgio dela, o porto seguro que fazia suas dores perderem força. Com a convivência, Valerie passou a acreditar que sabia quem Nick era e sentir que o conhecia da cabeça aos pés. Que sabia como sua mente funcionava e como ele era por dentro. Inclusive os dois frequentemente tinham pensamentos iguais, e compartilhavam muitas coisas juntos.

  As palavras do Doutor Hieler, terapeuta de Valerie, trazem uma verdade inquestionável: ninguém nunca sabe a dimensão real do que o outro está pensando, por mais convívio que se tenha, por mais próximo que se seja da pessoa.

“Porque “quem é você” deve ser a pergunta mais fácil de ser respondida, certo? Mas, para mim, há muito tempo não estava sendo fácil de responder. Talvez nunca tenha sido.” Pág. 29

  Valerie havia criado a “Lista Negra”, para listar as coisas e as pessoas que ela odiava. E então quando Nick, o garoto das roupas surradas e de aparência desleixada, entrou na mesma classe que ela, tornou-se um ótimo candidato para ser o alvo de zoações.

  Se aproximar de Valerie foi um caminho natural, e participar da confecção da lista veio logo em seguida. Desde então houve tantos nomes para escrever, que compartilhar essa tarefa com Nick parecia um bom programa. Para a garota, escrever naquele caderno era uma válvula de escape, uma maneira de canalizar seu ódio e a tristeza por ser alvo de bullies, mas Nick levava a lista a sério. Para ele, ela era um planejamento de vingança.

  Então, depois do dia em que ele abriu fogo contra professores e estudantes, na praça de alimentação do colégio, Valerie entendeu que a lista estava sendo utilizada para uma violência real. E aí sua vida se resumiu a um ferimento na perna e uma alma despedaçada.

“Em alguns dias, não podia nem mesmo dizer como me sentia.” Pág. 15

  Ela se sente culpada, mas não sabe se deve se sentir assim. Ela acha que precisa simplesmente continuar vivendo, mas parece errado seguir em frente como se pessoas não tivessem morrido. Como se não fosse Nick a matá-los. Nick, o cara que amava Shakespeare e que Valerie amava. É errado amar um assassino. Mas e o Nick pelo qual ela se apaixonou? Já continha em si aquele embrião de fúria e desejo de vingança?

  Valerie não sabia mais quem ela era, não sabia o que pensar, não sabia se conseguiria lidar com a volta ao colégio e encarar milhares de olhares, todos dizendo que ela era culpada pelo que havia acontecido.

  O livro é narrado por Val, e não segue uma ordem cronológica linear, ela tem muitos flashbacks que ajudam a entender melhor como a história chegou ao dia da chacina, e como a vida seguiu depois disso.

  A história é dividida em quatro partes, e vários capítulos começam com um trecho do jornal da cidade, o “Tribuna de Garvin”, que traz relatos de alunos sobre o dia da tragédia e também fala sobre as vítimas e suas personalidades.


  Jennifer Brown criou um livro que deveria ser leitura recomendada no colégio, que precisa chegar ao maior número de leitores possíveis. A Lista Negra traz um novo olhar sobre a prática do bullying, sobre as vítimas e os praticantes. Discute a respeito da parcela de culpa que cada um assume, seja como incentivador, praticante direto ou omisso. E é também sobre mostrar que é possível buscar crescimento pessoal com as experiências ruins pelas quais se passa, ainda que haja um longo caminho a ser seguido.

  A edição do livro está impecável, contando com verniz localizado na capa e contracapa, miolo em papel pólen e diagramação diferenciada na abertura dos capítulos. Ouso dizer que a experiência de leitura torna-se completa devido ao cuidado que se teve no projeto editorial e gráfico da publicação.
  Ainda que seja um enredo pesado e que vai revirar as suas emoções, o livro é totalmente indicado como um exercício de empatia, de se colocar no lugar do outro e entender que algo que parece engraçado para uns pode ser aquilo que vai destruir outro alguém.

  Deixa aqui nos comentários se você já leu esse ou outros livros que tratem a temática do bullying, e o que você achou a respeito.

Beijocas!

2 comentários:

  1. Oi Lola! Teu gadget de ultimas resenhas esta com problemas hahaha

    Enfim, eu ainda não li A Lista Negra mas sei o que me aguarda, todas as resenhas que leio são carregadas se emoção e eu adoro livros que transmitem isso. Estou muito curiosa! E espero ler em breve!

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    Respostas
    1. OiOi Joi :D Gadget arrumado, obri ;D
      Leia assim que possível, A Lista Negra é inesquecível <3
      Beijocas :*

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