3 de agosto de 2015

RESENHA | A Culpa é das Estrelas - John Green

283 páginas, Intrínseca

Depois de provavelmente mais de meio mundo já ter lido ACEDE, se emocionado, ido ao cinema sabendo de cor o que a Hazel falaria, e quantos sorrisos o Augustus daria, finalmente chegou o momento de conhecer a obra que levou John Green a fenômeno mundial de vendas, de admiração, de popularidade.

Tenho essa “coisa” com best-sellers: eles me deixam desconfiada. Por isso costumo estar, sob certo ponto de vista, “atrasada” em relação ao que está em alta no mundo literário.

A Culpa é das Estrelas foi lançado em 2012, inaugurou a polêmica “dos adolescentes que só leem livros da moda e não os clássicos”, vendeu mais de 20 milhões de exemplares no mundo (fonte), rendeu um filme, lançado em 2014 e colocou em pauta vários discussões sobre o estilo de escrita de Green.


O que eu posso falar é que deixando de lado todo esse sucesso, o que encontrei foi um livro que não perde a leveza, mesmo abordando um assunto bastante denso.

Como é viver tendo a certeza de que a vida pode escapar por entre os dedos enquanto você escova os dentes, ou então enquanto dorme? Ou então dormir e acordar sabendo que você pode morrer a qualquer instante, sem talvez ter tempo de realizar algo que te faça se orgulhar do tempo que viveu.

Mas também, quem se importa? Se tudo vira esquecimento, se daqui a alguns bilhões, ou trilhões, de anos não vai sobrar ninguém para contar a história de como somos esquecidos, gradativamente, não importando a vida que tenhamos levado?

O que importa se você está vivendo uma história de amor clichê? O que importa se você é alguém importante? O que importa quando se está morrendo?


Hazel Grace sabia que alguns infinitos são maiores que outros, que muitas vezes o infinito é implodido e tudo se espalha no espaço. O hoje, o segundo atual, é o único que pode fazer diferença na sua vida.

Ninguém sabe o que acontece depois, nem mesmo se algo acontece. Tudo o que fazemos são suposições, são confortos que criamos para manter os olhos secos e o sorriso no rosto.

Hazel sabia que a única certeza que poderia ter era de que iria morrer. Augustus não poderia esperar o mesmo de seu osteossarcoma, uma vez que estava em remissão e a possibilidade de o câncer voltar pairava sobre sua cabeça.

Então esses dois jovens se apaixonam e sabem que não podem fazer planos, porque o hoje sempre vai terminar parecendo o último dia de suas vidas.

A escrita de John Green é nada menos do que apaixonante, envolvente e cativante. Por vezes, até leve demais considerando que sabemos o que provavelmente vai acontecer. Eu não posso falar a respeito dos aspectos médicos, então não vou tecer comentários a respeito da veracidade das limitações dos personagens, ou sobre a realidade das atividades desenvolvidas por eles.

Mas posso falar sobre a personalidade de Hazel Grace. O quão perspicaz uma garota de 16 anos pode ser? O quanto de humor existe em uma adolescente que foi diagnosticada com câncer de tireoide com metástase no pulmão, e carrega seu cilindro de oxigênio para todos os lados?

O quão normal uma garota com cânulas no nariz consegue se sentir?


Quando conhece Augustus Waters, Hazel sai de sua zona de conforto e arrisca. Mesmo que ela se sinta como uma granada, talvez não exista alternativa a não ser aproveitar tudo enquanto o gatilho não é puxado.

Augustus Waters é um adolescente de 17 anos que inventa metáforas como ninguém, e suas frases carregadas de efeito e de simplicidade ao mesmo tempo, me conquistaram repentinamente, e aos poucos, como se isso pudesse ser possível de acontecer paralelamente.

Eu gostei do livro, de verdade. Gostei porque há tempos não lia um livro de maneira tão despretensiosa, tão sem altas expectativas. 

Gostei, porém tenho ressalvas. A narração em 1ª pessoa passa bastante veracidade, mas a agilidade do enredo de John Green, por vezes fica leve demais. Um pouco de realidade maquiada para parecer menos densa, eu diria.

E a segunda coisa que me incomodou um pouco foi um comentário da Hazel sobre tipos de filmes de garotos e tipos de filmes de garotas. Fiquei um pouco incomodada quando ela diz que V de Vingança é um filme de garotos, quando é uma história imbuída em assuntos que deveriam interessar a qualquer um, independente do gênero.

No quesito trabalho da editora, me incomodou não ter havido uma diagramação diferenciada para as mensagens de texto trocadas pelos personagens. Aquele texto solto, apenas centralizado, poderia ter ganhado uma aparência mais de sms, não poderia? 

Tirando esses pequenos "poréns", o enredo em si foi uma surpresa positiva. Muitas lágrimas depois e algumas reflexões, eu aceito ter me apaixonado pela escrita de John Green
Ok? Ok.

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